Relatórios do setor jurídico e financeiro indicam crescimento consistente da terceirização da cobrança empresarial no Brasil, impulsionado pela alta da inadimplência e pela necessidade de preservar relações comerciais. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que mais de 65 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em 2025, enquanto estudos da Serasa Experian apontam aumento no volume de dívidas corporativas em atraso.
Para Patricia Maia, advogada e sócia do Barbosa Maia Advogados, “a cobrança deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ser um processo estratégico, que envolve técnica, negociação e gestão de relacionamento”. A terceirização permite que as empresas foquem na atividade principal, enquanto especialistas utilizam análise de perfil do devedor, segmentação de carteiras e tecnologias para aumentar a taxa de recuperação.
Além da eficiência, a preservação do relacionamento comercial é fundamental. “Cobrar não significa romper. Muitas vezes, o cliente inadimplente continua sendo relevante para o negócio e pode voltar a consumir. A forma como a cobrança é conduzida impacta diretamente nisso”, explica Patricia Maia. Outro benefício é a redução de custos operacionais, transformando despesas fixas em variáveis, com remuneração atrelada ao desempenho.
A especialista destaca que a escolha do parceiro exige critérios técnicos rigorosos, como histórico, metodologia, compliance e capacidade de negociação, para evitar riscos jurídicos e danos à reputação. “Quando a cobrança é bem conduzida na fase extrajudicial, há maior chance de acordo e menor custo para ambas as partes”, afirma. Para ela, a recuperação de crédito bem estruturada deixa de ser um problema e passa a ser uma alavanca para o crescimento financeiro da empresa.