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IA pressiona energia e desafia infraestrutura no Brasil
Crescimento da inteligência artificial eleva consumo de eletricidade e exige modernização da rede para garantir eficiência e sustentabilidade
Por PORTAL MEGAVAREJO
Publicado em 17/04/2026 15:47 • Atualizado 17/04/2026 15:56
Energia
Divulgação/

O avanço da inteligência artificial (IA) tem aumentado significativamente a demanda por energia elétrica no Brasil, colocando pressão sobre uma infraestrutura que não foi projetada para esse novo perfil de consumo. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o consumo de eletricidade no país deve crescer cerca de 3,3% ao ano até 2035, impulsionado pela expansão de data centers e cargas intensivas em processamento.

Com mais de 170 mil quilômetros de linhas de transmissão, a malha elétrica brasileira enfrenta o desafio de operar com margens cada vez menores. "A infraestrutura atual não atende às exigências da era da IA", afirmam especialistas, que alertam para a necessidade urgente de modernização e eficiência para sustentar essa nova dinâmica.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), uma única GPU moderna pode consumir, em um dia, o equivalente ao consumo de uma residência com quatro pessoas. Em larga escala, essa demanda deixa de ser apenas uma questão teórica de sustentabilidade e se torna um risco direto para os negócios e para a estabilidade do sistema elétrico.

Alguns países já adotam soluções inovadoras, como o Japão, onde um data center em Hokkaido é alimentado exclusivamente por energia eólica, reduzindo a dependência da rede tradicional. No entanto, energia renovável por si só não resolve o problema da ineficiência, especialmente quando tecnologias antigas continuam em uso.

Para medir melhor a eficiência energética, surge o indicador "terabytes por watt" (TB/W), que avalia quanto dado é mantido para cada unidade de energia consumida, substituindo a capacidade bruta como referência. Essa métrica ajuda a identificar oportunidades para reduzir o consumo sem perder desempenho.

Além da modernização tecnológica, especialistas defendem a adoção de modelos de consumo flexível, que evitam o excesso de provisionamento e ociosidade, reduzindo desperdício energético e o volume de lixo eletrônico. "O consumo flexível e a eficiência energética ganham cada vez mais relevância nas decisões empresariais", destaca Paulo de Godoy, country manager da Everpure.

A escassez de energia já ameaça a continuidade de serviços essenciais, tornando urgente uma postura proativa. Investimentos em TI precisam ser avaliados não apenas pela capacidade tecnológica, mas também pela eficiência energética e adaptabilidade, para garantir resiliência em um cenário de recursos limitados.

Governos e empresas devem revisar políticas e práticas para equilibrar crescimento tecnológico e sustentabilidade. A modernização da infraestrutura, aliada a métricas precisas e consumo consciente, é o caminho para garantir que a expansão da IA não comprometa o futuro energético do país.

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